
Whirlpool acelera a era das casas inteligentes com nova linha de produção de indução em Manaus
A tradicional ‘linha branca’ está se transformando em uma linha tecnológica, conectada e altamente eficiente. E o Polo Industrial de Manaus (PIM) está no centro dessa transição. A Whirlpool, detentora das marcas Brastemp, Consul e KitchenAid, acaba de confirmar uma expansão histórica em sua unidade no Amazonas: o início da produção nacional de cooktops de indução a partir do segundo semestre de 2026. A chegada dessa nova categoria representa um salto tecnológico para o parque industrial da região. Diferente dos fogões tradicionais, a tecnologia de indução utiliza ondas eletromagnéticas para aquecer diretamente as panelas, exigindo componentes eletrônicos complexos e alta precisão fabril, uma expertise que o PIM domina como poucos no país. “Já temos a aprovação para iniciar a produção de cooktops de indução na nossa operação de Manaus. A previsão é que essa nova família de produtos comece a rodar entre agosto e setembro”, revela Luciano Garcia, diretor-executivo da planta da Whirlpool em Manaus. Com 34 anos de história no Amazonas, a unidade, que já é o coração produtivo de ar-condicionado, micro-ondas e lava-louças, agora assume o papel de acelerar a era das ‘smart homes’ (casas inteligentes) no Brasil. A aposta na indução acompanha uma mudança profunda no comportamento do consumidor, que hoje prioriza eficiência energética, segurança e conectividade na cozinha. Para viabilizar saltos tecnológicos como este e manter suas linhas flexíveis e modernas, a Whirlpool investe anualmente mais de R$ 500 milhões em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e modernização fabril no país. Essa estrutura robusta também serve como uma barreira competitiva estratégica contra o avanço de concorrentes asiáticos, apostando na produção nacional e no conhecimento profundo do mercado local, a companhia ouve cerca de 300 mil consumidores por ano para desenhar suas inovações. A nova linha de indução também se alinha diretamente com as metas ambientais da companhia. A fábrica de Manaus opera integralmente com energia limpa certificada e abriga o Centro de Eficiência Energética da Amazônia (CEEA), inaugurado em 2022. Produzir equipamentos que consomem menos energia, dentro de uma matriz limpa, fecha o ciclo da sustentabilidade industrial. Para Luciano Garcia, a nova disputa do setor fundiu manufatura e tecnologia de forma definitiva. “As duas coisas são inseparáveis. O nosso grande diferencial é manter o ecossistema de inovação conectado ao parque industrial”, destaca o executivo, reforçando o papel da Zona Franca de Manaus como pilar para a atração desses investimentos de ponta. A chegada dos cooktops de indução sintetiza o futuro do PIM: um modelo que deixa de ser prioritariamente focado em montagem de grandes volumes para se consolidar como um polo de engenharia avançada, gerando tecnologia que dita o ritmo das casas do amanhã. Vitória expande operação e Rodrigues aposta em novos segmentos A aquisição de cinco unidades e do centro de distribuição da tradicional rede Rodrigues pelo Vitória Supermercados mostra diferentes estratégias para crescer no mercado, seguindo uma tendência nacional de busca por escala, eficiência operacional e fortalecimento regional. Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o setor supermercadista brasileiro movimentou mais de R$ 1 trilhão em 2024, representando cerca de 9% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, reforçando a importância e a competitividade desse mercado. Nesse cenário, o Vitória amplia presença em um segmento onde logística, negociação com fornecedores, tecnologia e capacidade de distribuição têm peso cada vez maior. Já o Grupo Rodrigues segue uma estratégia observada em empresas familiares consolidadas: reorganização de portfólio e diversificação dos negócios. Após décadas no varejo alimentar, o grupo direciona investimentos (e esforços) para novas frentes, incluindo móveis, eletrodomésticos e soluções industriais, como o segmento de EPS (poliestireno expandido). Zilia Technologies aproxima PIM da nova corrida global dos semicondutores A Zilia Technologies acaba de levantar investimento na casa dos R$ 143,3 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio do programa ‘BNDES Mais Inovação’, voltado à modernização industrial, pesquisa e desenvolvimento (P&D) e novos equipamentos na unidade de Atibaia (SP). Mesmo com o novo aporte concentrado na operação da fábrica instalada no interior de São Paulo, esse investimento reforça a estratégia integrada da companhia, que também possui presença no Polo Industrial de Manaus (PIM), onde atua na fabricação de dispositivos eletrônicos baseados em semicondutores. A evolução da Zilia acontece em um momento em que a indústria mundial busca maior domínio sobre tecnologias críticas. Para Manaus, a presença de empresas inseridas nessa cadeia representa uma oportunidade de avançar em segmentos de maior valor agregado, conectados à inteligência artificial, internet das coisas (IoT), eletrônicos avançados e Indústria 4.0. Agora, depois de consolidar uma das maiores bases industriais do país, o desafio do PIM passa cada vez mais por ampliar sua participação nas tecnologias que estarão no centro dos produtos do futuro, e esse investimento é um ponto importante pra essa escalada. 5G avança na Amazônia e pode acelerar novos negócios na região A conectividade, considerada uma das principais barreiras para o desenvolvimento econômico da Amazônia, começa a ganhar um novo desenho. A Amazônia 5G prepara a inauguração de 130 torres na Região Norte, ampliando a infraestrutura digital em um território onde distância e logística ainda representam grandes desafios. Não se trata apenas de ampliar o acesso à internet, a chegada de novas redes móveis cria uma base necessária para tecnologias que dependem de conexão, como inteligência artificial, internet das coisas (IoT), automação, telemedicina e educação digital. Para a região amazônica, o avanço da conectividade também tem impacto direto no fortalecimento de novos modelos de negócios, incluindo cadeias ligadas à bioeconomia, que dependem cada vez mais de rastreabilidade, acesso a mercados e integração tecnológica. Dentro dessa nova configuração digital, a ampliação da infraestrutura pode se tornar uma ferramenta estratégica para transformar o potencial da Amazônia em desenvolvimento econômico e novas oportunidades.










