A reunião desta semana do Conselho de Administração da Suframa (CAS) trouxe mais do que a aprovação de novos projetos industriais. Ela confirmou um sinal importante: a Zona Franca de Manaus continua despertando interesse de quem pretende investir no Brasil. Somados, os projetos já representam cerca de R$ 3,2 bilhões em investimentos previstos, um indicativo de que o modelo segue competitivo e capaz de atrair novos empreendimentos.
Mas boas notícias costumam vir acompanhadas de novos desafios.
Se, por um lado, cresce o interesse das empresas, por outro aumenta a pressão sobre um tema que há algum tempo vem exigindo atenção: a disponibilidade de áreas para expansão industrial e a agilidade nas decisões relacionadas ao uso e ocupação do solo. Pelo incrível que possa parecer, atrair investimentos já não é, sozinho, o grande desafio. O próximo passo é garantir que eles encontrem espaço, infraestrutura e segurança para sair do papel.
Essa discussão ultrapassa os limites do Polo Industrial de Manaus (PIM) e alcança o planejamento da própria cidade. Uma indústria que cresce exige muito mais do que incentivos fiscais. Precisa de mobilidade eficiente, energia confiável, conectividade, logística, segurança jurídica e uma estrutura urbana capaz de acompanhar esse novo ciclo de desenvolvimento. E, cá pra nós, sabemos o quão desafiante são essas questões em Manaus.
No ambiente empresarial existe um velho ensinamento: vender é importante, mas vender sem conseguir entregar pode comprometer a credibilidade conquistada. Com Manaus acontece algo semelhante. Não basta despertar o interesse de novos investidores; é preciso estar preparada para recebê-los.
Outro aspecto chama atenção. Os projetos que chegam hoje têm um perfil diferente daquele de décadas atrás. São investimentos ligados à automação, digitalização, inteligência artificial, sustentabilidade, novos materiais e processos produtivos mais sofisticados. Isso amplia a demanda por mão de obra qualificada, pesquisa aplicada, inovação e integração entre universidades, institutos tecnológicos, empresas e poder público.
Provavelmente essa seja a principal mensagem deixada pela reunião do CAS. A confiança no modelo da Zona Franca permanece elevada, porém, o protagonismo passa a depender menos da capacidade de atrair investimentos e mais da velocidade com que Manaus conseguirá transformar intenções em fábricas operando, empregos qualificados, inovação e desenvolvimento sustentável. Eis o desafio imposto!
Porque oportunidades também têm prazo de validade. E, no ambiente competitivo em que vivemos, quem demora para se preparar corre o risco de ver os investimentos seguirem outro destino.
Cristina Monte é jornalista, colunista e analista de negócios, especializada na cobertura de indústria, inovação e desenvolvimento econômico na Amazônia.
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