Jabil ganha força com IA e prepara investimento de R$ 59,4 milhões em Manaus

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Projeto prevê a fabricação de terminais de captura de dados e a criação de 50 empregos, enquanto a multinacional amplia sua presença global na infraestrutura de inteligência artificial.

A Jabil prepara uma nova etapa de sua operação no Polo Industrial de Manaus (PIM). Projeto aprovado pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), por delegação de competência, prevê R$ 59,4 milhões em investimentos para a fabricação de terminais de captura de dados, além da geração de 50 empregos.

A proposta está entre os projetos que serão apresentados ao Conselho de Administração da Suframa (CAS) para conhecimento, em reunião na próxima sexta-feira (14/8). Isso significa que a aprovação administrativa já ocorreu; o próximo desafio será transformar as previsões apresentadas em investimento executado, produção e empregos efetivamente criados.

Os terminais de captura de dados são equipamentos empregados na coleta, no processamento e na transmissão de informações. Estão presentes em atividades como pagamentos, identificação, controle de operações e diferentes serviços comerciais. A nova linha, portanto, amplia a atuação da Jabil em um mercado associado à digitalização das empresas e dos meios de pagamento.
O projeto ganha uma dimensão adicional quando observado ao lado do momento vivido pela companhia no exterior. Na terça-feira (11/8), o UBS elevou de neutra para compra a recomendação para as ações da Jabil e manteve o preço-alvo de US$ 430. A avaliação aponta perspectivas de crescimento sustentadas pelos investimentos das grandes empresas de tecnologia em inteligência artificial, além da expansão dos mercados de saúde, automação e robótica.
Segundo as projeções do banco, a receita da Jabil relacionada à IA poderá crescer pelo menos 50% no exercício fiscal de 2027 e alcançar aproximadamente US$ 20,3 bilhões. Trata-se de uma estimativa do UBS, e não de resultado já obtido ou de previsão oficialmente apresentada pela companhia.

A Jabil vem fortalecendo sua presença na infraestrutura física necessária ao avanço da inteligência artificial. A empresa atua em soluções para servidores, integração de racks, armazenamento, gerenciamento de energia e refrigeração de data centers. Também anunciou investimentos e aquisições voltados a esse segmento nos Estados Unidos e uma parceria para desenvolver infraestrutura de data centers de IA na Índia.

Esse avanço global não pode, entretanto, ser transferido automaticamente para Manaus. O projeto aprovado pela Suframa refere-se a terminais de captura de dados e não há confirmação de que a unidade amazonense produzirá servidores, equipamentos de refrigeração ou outros sistemas destinados à infraestrutura de IA.

A conexão está no perfil da companhia. Manaus abriga duas operações empresariais relacionadas pela própria Jabil e integra uma rede mundial com mais de 100 unidades. A fábrica do PIM também foi reconhecida, em 2024, como a primeira da América Latina a alcançar uma certificação em Indústria 4.0 concedida pela Academia Alemã de Ciência e Engenharia.

O interesse, em Manaus, está em saber até onde o fortalecimento global da multinacional poderá abrir espaço para novos produtos, atividades de engenharia e processos de maior conteúdo tecnológico no PIM. O investimento de R$ 59,4 milhões representa um passo concreto na diversificação da operação local, mas seu alcance deverá ser acompanhado por indicadores como produção, contratação de profissionais, participação de fornecedores regionais e conhecimento incorporado à unidade.

A Jabil de Manaus ainda não foi associada diretamente à expansão mundial da companhia em inteligência artificial. Mesmo assim, a combinação entre uma nova produção no PIM e o crescimento global da multinacional aponta uma empresa que avança em duas frentes: amplia sua presença industrial no Amazonas e ganha importância em cadeias tecnológicas que deverão movimentar bilhões de dólares nos próximos anos.

Cristina Monte é jornalista, colunista e analista de negócios, especializada na cobertura de indústria, inovação e desenvolvimento econômico na Amazônia.

FOTO – REPRODUÇÃO

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