A empresa investe em inteligência artificial e acredita que, a partir dali, seus problemas estarão resolvidos: vai produzir mais, reduzir custos, ampliar os lucros e se tornar mais competitiva.
Mas a IA, por mais avançada e cara que seja, não faz milagres.
Esse foi um dos principais alertas de Rajesh Ganesan, CEO da ManageEngine, durante a UserConf Brasil 2026, realizada em São Paulo. Para o executivo, os resultados não dependem apenas da ferramenta escolhida, mas da infraestrutura digital capaz de sustentá-la.
Essa base estrutural envolve sistemas integrados, dados confiáveis, segurança, capacidade de processamento, governança, resiliência operacional e equipes preparadas. Sem esses fundamentos, a IA pode encontrar uma empresa fragmentada e, em vez de resolver problemas, apenas acelerar dificuldades que já existiam.
Ganesan explicou que o avanço começa pela organização dos dados, passa pela integração dos sistemas e evolui até permitir maior automação das operações. Portanto, não basta contratar uma ferramenta: é preciso preparar a estrutura que permitirá à tecnologia funcionar de forma segura e eficiente.
“Uma infraestrutura robusta, resiliente e confiável é a base para que a empresa avance com segurança e amplie gradualmente a autonomia dos sistemas”, destacou o CEO, em tradução livre.
Os números mostram a distância entre adotar IA e transformá-la em resultado financeiro. Em levantamento global de 2025, a McKinsey constatou que 88% dos entrevistados afirmavam que suas organizações utilizavam IA em pelo menos uma área. No entanto, apenas 39% apontaram algum impacto da tecnologia no resultado operacional, e, na maioria desses casos, a contribuição ficou abaixo de 5%.
O estudo também mostrou que quase dois terços das organizações ainda não haviam começado a ampliar o uso da IA em toda a empresa. É um retrato importante: a tecnologia já entrou nos negócios, mas transformar seu uso em ganhos relevantes ainda é um desafio.
O alerta tem conexão direta com o Polo Industrial de Manaus (PIM). As fábricas operam com equipamentos, linhas de produção, softwares, sensores, sistemas de gestão, fornecedores e grandes volumes de informações. A IA pode antecipar falhas, reduzir interrupções, melhorar estoques, identificar riscos e elevar a produtividade.
Mas esses ganhos não aparecem apenas porque uma solução foi contratada. Para prever falhas, a tecnologia precisa receber dados confiáveis dos equipamentos. Para melhorar estoques, depende de informações atualizadas sobre produção, compras, vendas e fornecedores. Para aumentar a segurança, necessita de uma infraestrutura capaz de identificar ameaças e responder rapidamente.
A qualidade do resultado está diretamente ligada à qualidade dessa base.
Em entrevista exclusiva concedida após a palestra, Ganesan ampliou a reflexão.
“A transformação não é apenas sobre tecnologia. É também sobre pessoas e negócios”, afirmou.
Por isso, a adoção da IA não deveria ser tratada apenas como um projeto do departamento de tecnologia. Seus efeitos alcançam produção, engenharia, manutenção, logística, controle de qualidade, finanças, recursos humanos e gestão.
Tarefas repetitivas poderão ser assumidas por sistemas inteligentes, enquanto os profissionais serão direcionados para atividades que exigem conhecimento do negócio, julgamento, supervisão e relacionamento. Quanto maior a autonomia da tecnologia, maior será a necessidade de definir quem valida os dados, supervisiona as decisões e responde quando o sistema erra.
Mesmo com o avanço da automação, a conexão humana continuará relevante. “As pessoas querem falar com seres humanos, e não com máquinas o tempo todo”, ressaltou Ganesan.
Essa discussão é especialmente importante para o PIM, que reúne empresas de diferentes segmentos, portes e níveis de maturidade tecnológica. Enquanto algumas operam com linhas altamente automatizadas, outras ainda convivem com sistemas antigos, dados fragmentados e dificuldades de integração entre as áreas administrativas e o chão de fábrica.
A solução conjuntural depende da realidade de cada indústria, que precisa avaliar seus dados, sistemas, segurança, processos e a preparação das equipes antes de decidir o que automatizar.
A vantagem competitiva não estará necessariamente com quem adquirir primeiro a tecnologia mais avançada, mas com quem estiver preparado para transformá-la em produtividade, eficiência e lucro, sem esquecer as pessoas que dão sentido a ela.

Ball registra forte crescimento regional e coloca fábrica de Manaus em evidência
A Ball Corporation encerrou o segundo trimestre de 2026 com crescimento global, mas foi o desempenho da América do Sul que mais chamou atenção. A multinacional norte-americana, líder mundial em embalagens sustentáveis de alumínio, registrou vendas de aproximadamente US$ 4 bilhões, alta de 19,7% em relação ao mesmo período de 2025.
O lucro líquido atribuível à Ball passou de US$ 212 milhões para US$ 221 milhões, enquanto o resultado operacional comparável alcançou US$ 433 milhões, crescimento de 7,7%. O volume global de embalagens de alumínio avançou 4,3%. Parte da expansão da receita veio do repasse do aumento do preço do metal aos clientes.
Na América do Sul, o crescimento também foi sustentado pela maior quantidade de embalagens comercializadas. A receita regional subiu 23,9%, de US$ 477 milhões para US$ 591 milhões. O resultado operacional comparável saltou de US$ 50 milhões para US$ 82 milhões, alta de 64% e o melhor desempenho proporcional entre as regiões da companhia. O volume cresceu na faixa intermediária dos dois dígitos, próxima de 15%.
A recuperação regional interessa diretamente ao Polo Industrial de Manaus (PIM), onde a Ball mantém uma fábrica de latas de alumínio para bebidas. A companhia não divulga os resultados individuais de cada unidade, o que impede atribuir à planta amazonense uma participação específica no desempenho do trimestre. Ainda assim, o avanço da América do Sul cria um cenário positivo para a operação local.
A fábrica de Manaus recebeu, em 2025, um reconhecimento no programa de excelência operacional da Ball após alcançar, no ano anterior, o melhor resultado de segurança entre as unidades da América do Sul. O programa considera aspectos como segurança, qualidade, disciplina produtiva, liderança e melhoria contínua.
O resultado regional não permite concluir quanto Manaus contribuiu para o crescimento da companhia, mas reforça a importância de uma rede industrial sul-americana que combina aumento de volume, eficiência operacional e capacidade de atendimento ao mercado de bebidas.
A parceria aproxima a indústria do mercado regional. A Livoltek já possui fábrica no Polo Industrial de Manaus (PIM), enquanto a Bemol oferece estrutura comercial, opções de crédito e conhecimento das particularidades logísticas e de consumo da região.
Os motores vêm sendo testados em condições reais de navegação no Projeto Pixundé, realizado no Rio Solimões.
A iniciativa abre espaço para uma cadeia regional formada por motores, baterias, pontos de recarga, manutenção e serviços técnicos. Para avançar, entretanto, a tecnologia precisará combinar preço acessível, autonomia, financiamento e assistência em localidades distantes dos grandes centros.
Se produção, distribuição e pós-venda caminharem juntos, Manaus poderá fabricar uma solução diretamente relacionada à realidade dos rios e às necessidades de quem depende das embarcações para trabalhar, produzir e se deslocar.
Na quinta-feira (27/8), às 16h (horário de Brasília), será realizado o 8º encontro da série de 11 eventos sobre Compras Públicas de Inovação.
Com o tema ‘Implementando Soluções Inovadoras no Setor Público’, esta edição será voltada a gestores públicos, startups e empreendedores interessados em compreender o processo de Compra Pública de Solução Inovadora (CPSI) e os mecanismos necessários para contratar soluções inovadoras com segurança jurídica e fiscal. O evento será virtual e poderá ser acompanhado pelo link (https://tinyurl.com/bddvf9b5)


