Na’kau leva cupuaçu do Amazonas à Cacau Show e abre debate sobre a industrialização da bioeconomia

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No Dia da Amazônia, celebrado em 5 de setembro, falar de bioeconomia também significa olhar para negócios capazes de transformar a biodiversidade em renda, tecnologia e oportunidades dentro da própria região. Um exemplo recente vem da relação comercial entre a amazonense Na’kau e a Cacau Show, que começa a levar um ingrediente desenvolvido no estado a uma das maiores redes de chocolates do país.

A Na’kau forneceu aproximadamente 3,5 toneladas de jujuba de cupuaçu para dois produtos lançados pela Cacau Show: uma barra de chocolate 55% cacau, com jujuba e cupuaçu em pó, e um drageado coberto com o mesmo chocolate.

A relação aproxima empresas de dimensões bastante diferentes. De um lado está uma pequena marca amazonense dedicada à transformação de produtos da biodiversidade. Do outro, uma companhia com mais de 4.700 lojas e 22 mil colaboradores no Brasil. Embora a distribuição para toda a rede não tenha sido confirmada, sua abrangência mostra o mercado potencial que pode ser alcançado por um ingrediente amazônico.

O relacionamento começou há cerca de um ano, após um encontro com a equipe de Pesquisa e Desenvolvimento da Cacau Show em uma feira realizada em São Paulo. A partir do interesse pela jujuba, a Na’kau desenvolveu uma formulação personalizada para atender às especificações da empresa.

Produzida com cupuaçu, açúcar e limão, a jujuba já era comercializada pela Na’kau e exportada para países como Rússia, França e Japão. A empresa também desenvolve e processa o cupuaçu em pó utilizado na barra, agregando etapas de transformação antes que o ingrediente deixe o Amazonas.

O cupuaçu vem de produtores de Autazes, Borba e Manicoré que, segundo a empresa, participam de programas de sustentabilidade desenvolvidos com o Instituto Piagaçu. A Na’kau afirma trabalhar diretamente com mais de 300 famílias em suas cadeias produtivas.

Se os produtos ganharem espaço dentro da rede, a demanda pela fruta poderá aumentar. Seus efeitos sobre a renda dos produtores, entretanto, dependerão da regularidade das encomendas, dos volumes adquiridos, dos preços pagos e da capacidade da cadeia de acompanhar essa expansão.

É justamente entre a fruta colhida e o produto colocado na prateleira que aparece um dos maiores desafios da bioeconomia amazônica. Matérias-primas perecíveis precisam de transporte, armazenamento, processamento, controle de qualidade e padronização. Análise publicada pelo Banco Mundial em 2026 aponta que as deficiências de logística e refrigeração afastam produtores dos mercados e permitem que intermediários concentrem uma parcela maior do valor gerado.

A transformação do cupuaçu em jujuba e pó mostra como o processamento pode converter uma fruta perecível em ingrediente industrial, capaz de atender às exigências de uma grande compradora.

“A industrialização é um dos principais elos que precisamos fortalecer. Se a Amazônia continuar apenas fornecendo matéria-prima, grande parte do valor econômico continuará sendo gerada fora da região”, afirma Artur Bicelli Coimbra, cofundador e co-CEO da Na’kau.

A bioeconomia também começa a receber mais recursos. Em abril, o Fundo Amazônia anunciou R$ 350 milhões para iniciativas de sociobioeconomia e inovação, com previsão de alcançar mais de 5 mil famílias, pelo menos 60 cooperativas e cerca de 60 instituições científicas e tecnológicas.

O fornecimento da Na’kau para a Cacau Show ainda é pequeno diante da dimensão da economia regional, mas é relevante pelo caminho que aponta: o cupuaçu sai do interior, passa por desenvolvimento e processamento no Amazonas e chega aos produtos de uma grande rede nacional.

A experiência reforça que possuir biodiversidade não basta. É preciso conectar produção sustentável, ciência, tecnologia, certificação, financiamento, logística e mercado.

 

Floresta em pé, tecnologia em campo

Em Caracaraí, no sul de Roraima, inteligência artificial, mercado de carbono e extrativismo começam a ocupar o mesmo território. O projeto Vale do Rio Branco, conduzido pela empresa de descarbonização ZEG, monitora mais de 14 mil hectares de floresta amazônica que poderiam ter parte da vegetação legalmente convertida para outras atividades econômicas.

Uma torre de 60 metros, equipada com câmera e inteligência artificial, identifica sinais de fumaça e envia alertas para a equipe responsável pela proteção da área. Segundo a empresa, aproximadamente R$ 200 mil foram aplicados nesse sistema e cerca de R$ 20 milhões no projeto como um todo, que também envolve certificação de carbono, prevenção de incêndios e apoio a 36 famílias extrativistas ligadas à cadeia da castanha-do-Brasil.

A iniciativa aponta uma possibilidade importante para a Amazônia: utilizar tecnologia e finanças climáticas para tornar a conservação economicamente competitiva. Além de reduzir o tempo de resposta ao fogo, o modelo pode fortalecer cadeias produtivas locais, melhorar a organização dos extrativistas e ampliar a rastreabilidade exigida por compradores e investidores.

A grande questão é transformar esse potencial em resultados duradouros. Os créditos de carbono ainda não foram comercializados e o avanço desse mercado depende de credibilidade, segurança jurídica, monitoramento independente e transparência na distribuição dos benefícios.

 

Parceria entre DBS e Avelloz mostra nova dinâmica no Polo de Duas Rodas

 

A DBS Indústria do Amazonas prevê inaugurar, em 1º/10, sua segunda planta no Polo Industrial de Manaus (PIM) e firmou contrato para produzir pelo menos 40 mil motocicletas da Avelloz nos próximos três anos. A fabricação deverá começar em 2027, inicialmente com o modelo Avelloz AZ 170.

A DBS também foi escolhida para prestar consultoria na implantação da futura fábrica própria da Avelloz em Manaus. Na prática, a empresa produzirá as primeiras motocicletas e, ao mesmo tempo, ajudará a estruturar a operação industrial definitiva da marca.

Fundado em 2003, o Grupo DBS iniciou sua produção industrial em Manaus em 2019 e atua na manufatura de motocicletas elétricas e a combustão, ciclomotores e bicicletas elétricas. A nova planta possui 4 mil metros quadrados e foi planejada para receber projetos de diferentes marcas.

Criada em Pernambuco em 2008, a Avelloz afirma já ter comercializado mais de 130 mil motocicletas e possuir mais de 450 pontos de venda credenciados. Em 2025, registrou 33.095 emplacamentos e encerrou o ano como a quinta marca de motocicletas mais emplacada do país, segundo dados da Fenabrave.

Essa é mais uma iniciativa em um mercado aquecido. Em julho, as fábricas de Manaus produziram 190.794 motocicletas, recorde para o mês e crescimento de 36% em relação a julho de 2025. Entre janeiro e julho, a produção alcançou 1.254.191 unidades, avanço de 9,9%. Para 2026, a Abraciclo projeta a fabricação de 2,07 milhões de motocicletas.

A parceria aponta que Manaus começa a se consolidar como uma plataforma industrial multimarcas, na qual empresas podem iniciar a produção por meio de estruturas compartilhadas antes de investir em unidades próprias.

RÁPIDAS & BOAS

 

Na sexta-feira (11/9), das 9h às 17h, o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM) promoverá o debate estratégico “Comércio Exterior Inteligente: sustentabilidade, transformação digital e Novo Processo de Importação (NPI) para a indústria amazônica”, com o tema “Nova Indústria Brasil (NIB) e inteligência competitiva global”. As inscrições podem ser feitas até quarta-feira (9/9) pelo link (https://tinyurl.com/2fxm4cdn).

 

Estão abertas as inscrições para a ´Trilha de Análise de Dados do INDT Educacional´. As aulas começarão na segunda-feira (14/9) e será no formato híbrido. O conteúdo contempla Excel, Power Query, SQL, Python, Pandas, Power BI, análise exploratória, dashboards e visualização de dados. As inscrições estão sendo realizadas pelo link (https://tinyurl.com/yx9jxdne).

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