Transformar biodiversidade em oportunidade econômica continua sendo um dos grandes desafios da Amazônia. E uma iniciativa criada a partir da pesquisa aplicada e do empreendedorismo começa a estruturar uma nova frente produtiva no estado: a produção de pós-larvas do camarão-da-Amazônia (Macrobrachium amazonicum).
À frente da LarviAM está a engenheira florestal Kátia Emídio da Silva, pesquisadora e empreendedora na área de carcinicultura de água doce, que iniciou o planejamento do projeto em 2024 e inaugurou o primeiro laboratório de produção de pós-larvas de camarão-da-Amazônia do estado no início deste ano.
A proposta busca reduzir uma dependência histórica da importação do crustáceo e desenvolver uma cadeia produtiva local baseada em uma espécie nativa, adaptada às condições ambientais da região.
“O camarão-da-Amazônia é uma espécie fascinante, atende à legislação ambiental e está adaptada ao clima local. Estou muito feliz em iniciar a realização desse sonho”, afirma Kátia.
A LarviAM iniciou as atividades em 2026 combinando pesquisa, testes produtivos e preparação para escala comercial. Atualmente, a capacidade instalada gira em torno de 30 mil pós-larvas a cada 30 dias, mas a meta é alcançar 150 mil unidades por ciclo ainda este ano.
“Queremos expandir a estrutura, agregar mais tecnologia ao manejo e nos tornar uma vitrine para quem tem interesse em produzir o camarão-da-Amazônia”, destaca.
Diferente da venda direta do camarão para consumo, o modelo de negócio atua no início da cadeia produtiva. A empresa fornece pós-larvas para produtores responsáveis pela etapa de engorda e produção final.
“Nosso modelo é B2B. Fornecemos as pós-larvas para produtores que fazem a engorda e geram o produto final”, explica.
Embora esteja inserida na bioeconomia, a iniciativa também mostra a importância da conexão entre ciência e mercado. A produção envolve controle de qualidade da água, temperatura, alimentação e manejo das larvas, utilizando conhecimentos desenvolvidos por instituições de pesquisa e adaptados à realidade amazônica.
“São soluções já conhecidas, fruto de pesquisas de diferentes organizações, mas que adaptamos à nossa realidade, ajustando os protocolos”, explica a pesquisadora.
A empresa também busca aproximação com instituições como Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Instituto Federal do Amazonas (IFAM) e Embrapa para avançar em melhoramento genético, formação profissional e desenvolvimento da atividade.
Apesar do potencial, o desafio agora é transformar inovação em escala. A empresa ainda estrutura mercado, busca financiamento e aguarda etapas regulatórias para ampliar a comercialização.
“Ainda há mais investimento do que retorno. O negócio é novo e estamos construindo mercado”, afirma a empreendedora.
A expectativa é que iniciativas como essa ajudem o Amazonas a reduzir a dependência externa e desenvolver uma cadeia própria da aquicultura.
“A ideia é transformar o estado, que hoje é importador, em produtor de camarão, gerando renda e oportunidades, especialmente para a agricultura familiar”, conclui Kátia.
Esse projeto reforça uma discussão cada vez mais presente na região: a bioeconomia amazônica também passa pela capacidade de transformar conhecimento científico, biodiversidade e inovação em novos negócios.

Alimentos tecnológicos ampliam horizontes da bioeconomia amazônica
A apresentação, pela Embrapa, de protótipos de salmão, caviar e anéis de lula produzidos a partir de ingredientes vegetais e impressão 3D sinaliza uma nova tendência global: a dos alimentos tecnológicos.
A iniciativa contribui para ampliar o debate sobre o futuro da bioeconomia na Amazônia, indo muito além de uma inovação laboratorial.
A região amazônica possui uma das maiores biodiversidades do planeta e concentra espécies vegetais com potencial para abastecer uma nova geração de alimentos funcionais, proteínas alternativas e produtos de alto valor agregado.
Apesar de o desafio continuar sendo transformar biodiversidade em inovação, conectando pesquisa, tecnologia, indústria e mercado, essa evolução mostra que a bioeconomia pode avançar para além da exportação de matérias-primas, criando oportunidades em segmentos cada vez mais sofisticados (e procurados) da economia do conhecimento.
Mercado gamer impulsiona nova fase tecnológica da TPV em Manaus
O avanço do mercado gamer brasileiro começa a gerar reflexos muito além do entretenimento. Segundo a Pesquisa Game Brasil 2026, 75,3% dos brasileiros consomem jogos digitais, consolidando o país como um dos maiores mercados gamers do mundo e impulsionando a demanda por equipamentos cada vez mais sofisticados.
É nesse cenário que a TPV, instalada no Polo Industrial de Manaus (PIM), reforça sua posição estratégica. Responsável pelas marcas AOC e Agon by AOC, a companhia lidera o segmento nacional de monitores gamer, segundo reportagem recente da revista Exame, apostando em tecnologias premium como OLED, Mini LED e altas taxas de atualização.
Mas a atuação da empresa ultrapassa o universo gamer. A operação em Manaus é conhecida por produz televisores, monitores corporativos e equipamentos voltados à produtividade e ao consumo doméstico, além de avançar em automação industrial e modernização de linhas produtivas alinhadas aos conceitos da Indústria 4.0.
Essa dinâmica ajuda a ilustrar uma mudança importante na indústria eletrônica. Se antes a disputa acontecia principalmente por volume de vendas, hoje ela passa cada vez mais por inovação, desempenho e valor agregado.
Plano da Salcomp pode colocar Manaus na corrida global dos robôs humanoides
Apesar de a robótica industrial ainda estar em processo de expansão nas indústrias brasileiras de modo geral, uma nova etapa já começa a ganhar espaço no cenário global: não apenas utilizar robôs, mas desenvolver capacidade industrial para produzi-los.
E é exatamente essa tendência que chamou atenção durante visita da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) à unidade da Salcomp, no Polo Industrial de Manaus (PIM), realizada recentemente. A empresa apresentou planos para implantar uma linha de produção de robôs humanoides na capital amazonense, iniciativa que pode inserir o Amazonas em uma das cadeias tecnológicas mais observadas atualmente no mundo.
Até o momento, a companhia não divulgou detalhes sobre investimentos, capacidade produtiva, cronograma ou modelos que poderão ser fabricados. Entretanto, caso o projeto avance, a iniciativa poderá colocar a Salcomp como a primeira indústria instalada no Brasil com uma operação voltada à fabricação de robôs humanoides em escala industrial.
RÁPIDAS & BOAS
Na terça-feira (9/6), das 8h às 18h, no auditório do SENAI Arivaldo Silveira Fontes, será realizado o evento ‘Manufatura Digital no Polo de Manaus’. Promovida pelas empresas PLMX, APS3 e TDI, com apoio da Siemens, a iniciativa reunirá profissionais da indústria, tecnologia e inovação para discutir os avanços da transformação digital no setor produtivo. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo link (https://tinyurl.com/27p63fzm).
Entre os dias 9 e 11/6, pelo terceiro ano consecutivo, a capital amazonense recebe a ‘Expo MultiMix’, reafirmando sua posição como o maior encontro de empresas e lojistas da região. O evento será no Centro de Convenções Vasco Vasques e as inscrições para lojistas (obrigatório CNPJ) já podem ser realizadas no site (www.expomultimix.com.br). O credenciamento antecipado é gratuito e garante acesso rápido ao pavilhão.
A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) está com edital aberto para o curso de especialização em ‘Estratégias ESG e Competitividade na Indústria 4.0’. Os interessados têm até sexta-feira (12/6) para realizar a inscrição. No total, estão sendo ofertadas 60 vagas e outras informações podem ser acessadas por meio do link (https://tinyurl.com/bdehccbw).


