De máquinas de costura a robôs: a transformação industrial da Elgin em Manaus

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Durante décadas, a competitividade da indústria esteve associada principalmente à capacidade de produzir em grande escala, porém esse cenário vem mudando rapidamente. Agora, o diferencial passa por produzir com mais tecnologia, precisão, eficiência e inteligência.

Essa transformação já começa a ganhar força no Polo Industrial de Manaus (PIM), onde empresas tradicionais vêm incorporando processos cada vez mais automatizados para acompanhar uma nova geração da manufatura.

Um exemplo dessa nova realidade é a Elgin, companhia brasileira fundada em 1952, que nasceu no segmento de máquinas de costura e se transformou em um grupo diversificado, presente em áreas como climatização, energia solar, automação comercial, informática, iluminação e eletrodomésticos.

Com mais de sete décadas de atuação, a empresa conta atualmente com cerca de 2 mil colaboradores, unidades industriais e centros de distribuição no Brasil, além de um portfólio com milhares de produtos comercializados no mercado nacional e internacional.

Em Manaus, a companhia iniciou uma das etapas mais estratégicas de sua expansão industrial: a implantação de uma fábrica de motores BLDC (Brushless Direct Current), tecnologia utilizada principalmente em equipamentos de ar-condicionado inverter — segmento que cresce impulsionado pela busca por maior eficiência energética.

O investimento, anunciado no ano passado, de aproximadamente R$ 200 milhões representa não apenas aumento de capacidade produtiva, mas também uma estratégia para internalizar componentes tecnológicos, reduzir dependências externas e agregar mais valor à cadeia industrial instalada na Amazônia.

A nova operação também reforça uma mudança que cresce dentro das fábricas: a presença cada vez maior dos robôs.

Linhas automatizadas, sistemas inteligentes e equipamentos robotizados estão assumindo processos que exigem alta precisão e repetibilidade, enquanto profissionais avançam para funções mais ligadas à programação, controle, análise e manutenção dessas tecnologias.

É uma transformação alinhada ao que acontece no mundo. Segundo a International Federation of Robotics (IFR), já existem mais de 4 milhões de robôs industriais em operação nas fábricas globais, um recorde histórico, impulsionado principalmente pelos setores de eletrônicos, automóveis e equipamentos industriais.

Para o PIM, essa transformação traz uma mensagem importante: o futuro da indústria regional não será definido apenas pelo volume de produtos fabricados, mas pela capacidade de incorporar inovação, desenvolver competências tecnológicas e participar de cadeias produtivas mais sofisticadas.

A chegada de mais automação representa muito mais do que máquinas substituindo processos. Representa uma nova etapa da indústria, onde robôs, pessoas e conhecimento passam a dividir o mesmo espaço produtivo.

E parte dessa nova manufatura brasileira já está sendo construída na Amazônia.

Cristina Monte é jornalista, colunista e analista de negócios, especializada na cobertura de indústria, inovação e desenvolvimento econômico na Amazônia.

Foto: Divulgação/Elgin