O crescimento dos data centers está aproximando dois mercados: tecnologia e energia. A instalação de servidores para inteligência artificial, armazenamento e serviços digitais amplia a necessidade de eletricidade e faz do fornecimento um fator decisivo para a localização de novos empreendimentos.
O relatório Energy and AI, publicado em 2025 pela Agência Internacional de Energia (IEA), dimensiona essa expansão. Os investimentos globais em data centers chegaram a aproximadamente US$ 500 bilhões em 2024, quase o dobro do registrado em 2022. Naquele ano, essas instalações consumiram cerca de 415 terawatts-hora (TWh), equivalentes a 1,5% da eletricidade mundial. A projeção do estudo é que o consumo alcance aproximadamente 945 TWh em 2030, impulsionado principalmente pela IA.
Índia reúne oportunidade e pressão sobre o fornecimento
A Índia oferece uma dimensão desse desafio. O India Transition Factbook 2026, divulgado em 13 de outubro pela BloombergNEF, projeta que o consumo elétrico dos data centers no país poderá passar de 11 TWh, em 2025, para 636 TWh em 2050. Se esse cenário se concretizar, o segmento representará aproximadamente 11% do consumo nacional de eletricidade naquele horizonte. Trata-se de uma projeção de longo prazo, sujeita à evolução dos investimentos e da tecnologia.
O crescimento ocorre em um sistema ainda dependente de combustíveis fósseis. Segundo o mesmo levantamento, o carvão responde por cerca de 68% da geração elétrica indiana. Assim, ampliar a capacidade de processamento sem mudar as condições de abastecimento pode aumentar a exposição das empresas a uma eletricidade intensiva em carbono.
Entre os caminhos apontados pela BloombergNEF estão contratos com fornecedores de energia renovável, projetos de autoprodução e geração solar nas próprias instalações. Essas alternativas aproximam as decisões sobre infraestrutura digital do planejamento energético.
Empresas associam expansão digital a novos projetos renováveis
Um exemplo é a Meta. Em comunicado divulgado em junho, a companhia anunciou a contratação de capacidade em um data center da Reliance, em Jamnagar, cuja primeira fase prevê 168 megawatts (MW). Segundo a empresa, a instalação será abastecida por energia renovável e utilizará água do mar dessalinizada no resfriamento.
Separadamente, a Meta informou acordos para apoiar 837 MW de novos projetos solares e eólicos da CleanMax e outros 88 MW da Fourth Partner Energy na Índia. Os anúncios mostram como a expansão das operações digitais também pode gerar contratos e investimentos para fornecedores de energia.
A conexão com a rede também pesa
Construir novas usinas, porém, é apenas uma parte da equação. A IEA estima que, sem medidas para enfrentar os gargalos elétricos, aproximadamente 20% dos projetos de data centers planejados no mundo podem sofrer atrasos. Filas de conexão e prazos de implantação de linhas de transmissão estão entre os obstáculos identificados.
Os estudos e os anúncios empresariais indicam que a disputa por investimentos digitais envolve a capacidade de transformar planos de fornecimento em energia disponível para a operação. No caso indiano, a oportunidade de atrair infraestrutura de inteligência artificial vem acompanhada da necessidade de expandir e integrar geração, redes e contratos de abastecimento.
FONTE – Redação
FOTO/DIVULGAÇÃO – IA


