Drone amazonense aposta em entregas rápidas pelos rios e prevê comercialização em 2027

COLUNA MAIS NEGÓCIO$ - TULIO 16 10 2026
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Um drone desenvolvido no Amazonas foi projetado para transportar até 15 quilos de carga sobre os rios da região, sem piloto a bordo. Batizado de Stingray, o equipamento da startup amazonense AeroRiver está em fase pré-operacional e tem início de comercialização previsto para 2027.

O veículo opera próximo à superfície da água, aproveitando um fenômeno aerodinâmico conhecido como efeito solo. O objetivo é combinar velocidade e eficiência energética para atender às particularidades da logística amazônica.

“A proposta é reduzir o tempo e o custo de deslocamento em regiões onde os rios são a principal via de acesso, como acontece em grande parte da Amazônia”, explica Tulio Condé Duarte Silva, engenheiro eletricista, cofundador e diretor da AeroRiver Barco Voador.

A primeira versão terá duas configurações: elétrica, com autonomia prevista de 20 quilômetros, e a combustão, com alcance de até 200 quilômetros. A velocidade projetada é de 90 km/h. Segundo a empresa, o Stingray é um veículo de superfície não tripulado, sujeito à regulamentação da Autoridade Marítima, exercida pela Marinha do Brasil.

Entre as aplicações previstas estão entregas de medicamentos, materiais de saúde, peças e suprimentos para operações remotas, além de monitoramento ambiental, vigilância e segurança.

“Na logística, o foco é o transporte rápido de pequenas cargas, especialmente aquelas em que o tempo de entrega faz diferença”, afirma Tulio.

Segundo o diretor, a empresa já está recebendo encomendas e negocia projetos-piloto com potenciais clientes. A estratégia inicial será vender o equipamento em configurações adaptadas à finalidade de cada operação. O preço dependerá dos sensores e das características escolhidas.

“O Stingray já está disponível para encomenda. Estamos estruturando projetos-piloto e recebendo os primeiros pedidos, mas o início da comercialização está previsto para 2027.”

Antes de ampliar a produção, a startup precisa concluir as validações técnicas e avançar no processo regulatório. “Os principais desafios são demonstrar a segurança da operação e atender aos requisitos técnicos aplicáveis a essa tecnologia.”

O Stingray integra uma linha de veículos de efeito solo desenvolvida pela startup. Também estão em desenvolvimento o Voadeiro, tripulado, com capacidade para até quatro pessoas, e o Volitan, projetado para transportar até dez passageiros ou uma tonelada de carga.

 

Café de açaí abre possível rota entre Amazônia e mercado árabe

Um produto feito com a semente que sobra do processamento do açaí pode abrir uma nova conexão comercial entre a Amazônia e os países árabes. O café de açaí da marca Xodó da Amazônia despertou o interesse de importadores durante uma rodada de negócios promovida, em São Paulo, pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira, por meio do projeto Halal do Brasil.

Apesar do nome, a bebida não contém café nem cafeína: é produzida com a semente do açaí torrada e moída. A proposta agrega valor a um material que normalmente seria descartado e o transforma em produto associado à sustentabilidade e ao aproveitamento integral da matéria-prima amazônica.

A semente utilizada pela empresa é adquirida de despolpadores do Pará, onde passa pelas etapas iniciais de preparação. A torra final ocorre em Manhuaçu, em Minas Gerais. Segundo a empresa, a estrutura possui capacidade para produzir até 100 toneladas mensais da bebida.

Apesar de o contato representar uma possibilidade de negócios, ainda não há acordo de exportação. A empresa busca as certificações necessárias e pretende obter o selo halal, que comprova a adequação do produto às regras de consumo islâmicas.

 

KTM e MotoChefe ampliam diversidade do setor de duas rodas no PIM

 

O setor de duas rodas do Polo Industrial de Manaus (PIM) ganha novas frentes de crescimento. Em movimentos anunciados praticamente no mesmo período, a MotoChefe prepara a ampliação da produção de veículos elétricos leves, enquanto a KTM inaugurou uma fábrica própria para motocicletas das marcas KTM e Husqvarna. As operações atendem a públicos diferentes e mostram a diversidade alcançada pelo segmento: dos autopropelidos destinados aos deslocamentos urbanos às motos de média e alta cilindrada voltadas a desempenho, lazer e viagens.

A MotoChefe pretende elevar a capacidade de sua unidade dos atuais 10 mil produtos mensais para uma faixa entre 13 mil e 15 mil no início de 2027. Já a fábrica da KTM recebeu investimento inicial de R$ 20 milhões, emprega cerca de 100 pessoas e tem capacidade para produzir até 20 mil motocicletas por ano. A marca prevê montar 3 mil unidades até o fim de 2026 e chegar a 6 mil em 2027.

As expansões ocorrem em um momento muito favorável. De janeiro a agosto de 2026, o subsetor de duas rodas respondeu por 19,85% dos R$ 165,12 bilhões faturados pelo PIM, participação equivalente a aproximadamente R$ 32,78 bilhões. Na produção de motocicletas, as fábricas de Manaus alcançaram 1.645.034 unidades até setembro, alta de 9,9% e melhor resultado para o período desde 2008. A chegada de novos modelos e o avanço da mobilidade elétrica reforçam não apenas o volume gerado, mas a diversificação de uma das cadeias industriais mais importantes do Amazonas.

 

Reunião define próximos passos do Distrito de Inovação de Manaus

 

A implantação do Distrito de Inovação do Largo de São Vicente avançou em sua organização institucional. O comitê gestor reuniu-se para discutir as diretrizes do edital Mais Inovação, o portfólio de programas, a capacitação de empreendedores e os indicadores que deverão orientar o acompanhamento da iniciativa.

A reunião é relevante porque o comitê não possui apenas função consultiva. Regulamentado pelo Decreto Municipal nº 6.819/2026, o colegiado é responsável pela execução do planejamento estratégico, pela gestão de editais, pela coordenação dos programas e pelo monitoramento dos resultados. Essa estrutura deverá ajudar a transformar o futuro espaço físico em um ambiente de aproximação entre startups, empresas, universidades, instituições científicas e poder público.

O projeto conta com investimento superior a R$ 14 milhões. Desse total, R$ 10,23 milhões são recursos federais não reembolsáveis do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), repassados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), enquanto a Prefeitura de Manaus aporta mais de R$ 4 milhões em contrapartida.

O Casarão de São Vicente será o primeiro equipamento do distrito e tem conclusão prevista para junho de 2027. A expectativa divulgada pela Prefeitura é receber cerca de 30 startups nos dois primeiros anos, além de promover incubação de empresas, pesquisa, desenvolvimento tecnológico e eventos.

A governança, entretanto, é apenas o começo. Ainda precisam ser divulgados o calendário de implantação, o conteúdo e o orçamento do edital Mais Inovação, os critérios de participação, as metas dos programas e a relação dos indicadores estabelecidos pelo comitê. Também será importante demonstrar como o distrito irá se conectar ao Polo Industrial de Manaus (PIM) e às instituições de ciência e tecnologia já instaladas na cidade.

O resultado dessa iniciativa será medido pelas entregas, como editais publicados, projetos financiados, startups desenvolvidas, soluções incorporadas, investimentos atraídos, empregos qualificados e negócios efetivamente gerados em Manaus.

 

RÁPIDAS & BOAS


Na quinta-feira (22/10), das 14h às 18h, acontecerá o ‘Workshop IA-FogoBio: A ciência e tecnologia na prevenção de incêndios e preservação da biodiversidade amazônica’, que será nos formatos presencial e online. Outras informações e inscrições pelo link (https://tinyurl.com/hbf6awxr).

 

A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) está com inscrições abertas até sexta-feira (23/10) para o Mestrado Profissional em Administração Pública em Rede Nacional (Profiap), com ingresso previsto para o primeiro semestre de 2027. As inscrições estão sendo feitas por meio do link (https://tinyurl.com/4k42brtr).

 

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