BYD inicia licenciamento para ampliar fábrica e prepara nova etapa de produção no Brasil

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A expansão da BYD em Camaçari, na Bahia, avançou para uma nova etapa: a empresa iniciou pedidos de licenças para elevar a capacidade industrial a 600 mil veículos por ano e está concluindo obras e testes das instalações de estamparia, soldagem e pintura. As informações foram dadas pelo vice-presidente sênior Alexandre Baldy à Reuters.

O objetivo de alcançar esse volume já fazia parte dos planos da montadora. Durante a inauguração oficial da fábrica, em outubro de 2025, o fundador da BYD, Wang Chuanfu, anunciou a intenção de chegar a 600 mil unidades anuais. Em comunicado posterior, a companhia descreveu uma implantação em etapas: capacidade inicial de 150 mil veículos, avanço para 300 mil e expansão futura para 600 mil.

Essa etapa atual representa, portanto, um passo na execução do projeto. A solicitação de licenças ainda precisa ser distinguida de autorizações concedidas e da capacidade efetivamente instalada. Tampouco significa que a fábrica já esteja produzindo nesse ritmo.

Mais etapas industriais no país

A entrada em funcionamento das novas instalações deverá ampliar as atividades realizadas no Brasil. A estamparia dá forma às chapas metálicas; a soldagem une partes da estrutura; e a pintura acrescenta proteção e acabamento à carroceria. Incorporar essas etapas aumenta a complexidade industrial da operação e exige equipamentos, controle de qualidade e profissionais especializados.

Segundo Baldy, a BYD pretende começar 2027 com índice de nacionalização superior a 50%. O investimento acumulado na fábrica já ultrapassou R$ 5,5 bilhões, afirmou o executivo. A reportagem não apresenta um valor adicional específico para a expansão agora em licenciamento.
A nacionalização já vinha sendo desenvolvida em outras frentes. Em junho, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia divulgou a validação do processo produtivo do Cross Car Beam, estrutura instalada atrás do painel e utilizada na fixação de componentes do veículo.

Antes importada montada, a peça passou a ter componentes recebidos separadamente para soldagem, montagem e calibração em Camaçari. Na ocasião, a empresa também indicou a intenção de obter parte desses componentes de fornecedores nacionais. O exemplo mostra que realizar mais operações no Brasil e comprar mais peças brasileiras são movimentos relacionados, mas distintos.

Mercado brasileiro e exportações

A ampliação também está ligada aos planos de abastecer outros países. Baldy informou à Reuters que a operação brasileira recebeu pedidos de 50 mil veículos do México e outros 50 mil da Argentina. Segundo ele, o aumento do conteúdo local permitirá começar a atendê-los a partir de 2027. São encomendas informadas pela companhia, ainda não exportações realizadas.

A perspectiva internacional acrescenta uma função ao complexo baiano: além de atender consumidores brasileiros, a fábrica poderá participar do fornecimento regional da marca. Para transformar essa intenção em entregas, será necessário combinar produção, fornecedores, logística e atendimento às condições de acesso a cada mercado.

O avanço de Camaçari ocorre dentro de uma presença industrial mais ampla da BYD no Brasil. A companhia também mantém atividades em Campinas, em São Paulo, e uma unidade de baterias em Manaus. As informações sobre a expansão baiana, porém, não anunciam ampliação da fábrica amazonense nem detalham sua participação no abastecimento dos automóveis produzidos em Camaçari.

Para a cadeia automotiva, a próxima etapa será acompanhar quais processos entram efetivamente em operação, quanto do fornecimento passa a ser contratado no país e como a capacidade adicional se converte em produção e exportações.

FONTE – Redação
FOTO/DIVULGAÇÃO – BYD

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