Super Terminais aporta R$ 650 milhões em inovação, sustentabilidade e combate à seca no Norte

COLUNA MAIS NEGÓCIO$ - 18 09 2026
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O Super Terminais investiu aproximadamente R$ 650 milhões nos últimos dois anos para modernizar sua operação em Manaus e abrir uma nova frente de negócios em Itacoatiara. A estratégia reúne três movimentos: fortalecimento da logística do Polo Industrial de Manaus (PIM), preparação para períodos de seca severa e entrada no transporte de grãos e fertilizantes pelo corredor do Arco Norte.

“Nos últimos dois anos, a empresa investiu cerca de R$ 400 milhões em infraestrutura, tecnologia e modernização em Manaus. Esse montante não contemplava os novos aportes no Super Porto Verde, que recebeu investimento de R$ 250 milhões. Somados, os investimentos totalizam aproximadamente R$ 650 milhões”, explica Marcello Di Gregorio, diretor-geral do Super Terminais.

Entre as melhorias em Manaus incluem-se a aquisição de três guindastes elétricos alemães, avaliados em R$ 120 milhões, e a ampliação do píer de quatro para seis berços. Além disso, a empresa investe R$ 30 milhões na implantação da primeira usina de gás natural do Norte do país dedicada exclusivamente a operações portuárias, em parceria com o Governo do Amazonas e a Cigás. Segundo a empresa, a substituição do diesel poderá evitar a emissão de aproximadamente 17 mil toneladas de dióxido de carbono por ano.

Em Itacoatiara, a cerca de 175 quilômetros de Manaus, o Super Porto Verde representa a principal diversificação dos negócios da companhia. O empreendimento foi desenvolvido para atender à movimentação de commodities agrícolas, especialmente grãos e fertilizantes.

“A criação do Super Porto Verde integra a nossa estratégia para atender ao segmento de commodities agrícolas, respondendo à demanda crescente do corredor logístico do Arco Norte. A estrutura foi concebida para oferecer uma alternativa mais eficiente ao escoamento da produção agrícola brasileira”, afirma Di Gregorio.

O porto ocupará uma área de 300 mil metros quadrados e deverá gerar 130 empregos diretos e 250 indiretos. A estrutura contará com um píer flutuante de 240 metros e três guindastes elétricos, com capacidade conjunta para movimentar até 2.100 toneladas por hora.

O sistema permitirá a operação simultânea de seis barcaças e de um navio Panamax, de até 50 mil toneladas, com previsão de concluir o transbordo em até 36 horas. A localização próxima à confluência dos rios Amazonas e Madeira coloca o empreendimento em uma das principais rotas de escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste pelos portos do Norte.

Paralelamente ao novo negócio de grãos e fertilizantes, o Super Terminais mantém preparada uma operação contingencial em Itacoatiara para receber cargas conteinerizadas do PIM caso a vazante comprometa a chegada de navios a Manaus. Embora funcionem no mesmo município, são estruturas com finalidades diferentes.

A empresa já iniciou os procedimentos operacionais e burocráticos para uma eventual retomada, dependendo da intensidade da vazante e das condições de navegabilidade.

Com um time de 600 a 700 colaboradores diretos no terminal de Manaus, o Super Terminais movimentou 138.035 TEUs  (unidade padrão equivalente a um contentor de 20 pés) no primeiro semestre e projeta superar 300 mil em 2026.

 

O desafio de transformar o jacaré manejado em bioeconomia responsável

A carne de jacaré manejado na Reserva Extrativista (Resex) Lago do Cuniã, em Porto Velho, avançou na preparação do processo para obtenção de uma Indicação Geográfica (IG). O trabalho é conduzido pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em Rondônia, em parceria com a Prefeitura de Porto Velho, e reúne organizações comunitárias e órgãos ambientais.

O reconhecimento ainda não foi concedido, nem há confirmação pública de que o pedido tenha sido protocolado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A expectativa é de que a estruturação do processo leve entre um ano e meio e dois anos.

A futura IG deverá agregar valor sem estimular o aumento indiscriminado dos abates. O jacaré integra a fauna amazônica e o equilíbrio dos ambientes aquáticos. Por isso, essa cadeia somente poderá ser apresentada como bioeconomia se estiver apoiada em monitoramento populacional, critérios científicos, fiscalização, rastreabilidade e geração de renda para as comunidades. No Cuniã, crescer precisa significar produzir com controle e responsabilidade, não simplesmente retirar mais da natureza.

 

Autazes avança em infraestrutura enquanto Brasil mapeia novas frentes de fertilizantes

O avanço do Projeto Potássio Autazes, no Amazonas, e o mapeamento de frentes alternativas pelo país dão um ritmo inédito aos bastidores da indústria de fertilizantes, num esforço estrutural para diminuir a dependência das importações no agronegócio. Num movimento estratégico recente, a Brazil Potash formalizou um contrato definitivo de 28 anos com a Gera Center para a instalação de uma usina modular a diesel de até 20 megawatts. Essa estrutura vai garantir o abastecimento energético durante os cinco anos previstos para as obras no interior amazonense e, posteriormente, funcionará como sistema de reserva assim que o complexo for conectado ao Sistema Interligado Nacional (SIN). O acordo empresarial ganha o suporte da recém-instituída Lei nº 15.496, que criou o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert) para modernizar a infraestrutura nacional e atrair novos investimentos para o setor.

Paralelamente, o Brasil reconfigura o seu mapa de reservas em outras localidades para fortalecer a segurança de abastecimento. Em Sergipe, o Complexo Mineroquímico de Taquari-Vassouras, atualmente a única unidade de produção convencional ativa no país, mudou de mãos e passou a ser operado pela VL Mineração. Ainda em solo sergipano, o Projeto Carnalita desponta com uma capacidade projetada de 1,2 milhão de toneladas de cloreto de potássio por ano, somando-se à proposta offshore da South Atlantic Potash, que se encontra em fase de estudos de pré-viabilidade.

 

Por que a redução de impostos não garante a energia que os data centers precisam

A expansão global da inteligência artificial acendeu um alerta estrutural no Brasil: o verdadeiro gargalo para a instalação dos novos centros de processamento de dados não é a falta de incentivos fiscais, mas sim o descompasso crônico da infraestrutura energética nacional. Embora a criação do Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center) prometa atrair até R$ 1,5 trilhão em investimentos para reverter o cenário atual, onde 60% dos dados do país são processados no exterior, o crescimento esbarra na incapacidade de transmissão do sistema elétrico. Enquanto um data center de hiperescala fica pronto em cerca de 18 meses, as obras de expansão de linhas de transmissão e subestações exigem de três a quatro anos, criando um sério risco de desabastecimento de rede para o setor tecnológico.

O desafio analítico reside na escala e na concentração geográfica dessa nova procura. Os data centers operavam recentemente com um consumo modesto de 300 megawatts médios, mas os novos projetos em desenvolvimento preveem saltar para 5,7 gigawatts médios até 2030 – uma multiplicação por quase vinte vezes da procura atual -, além de uma fila especulativa de pedidos de acesso à rede que já soma 56 gigawatts na Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Para agravar o cenário, 96% dessa capacidade está concentrada na região Sudeste, forçando uma descentralização tardia para estados como Ceará e Pará. Esse cenário pressiona inclusive o Amazonas que, embora comece a destacar-se na fabricação de servidores de alta potência no Polo Industrial de Manaus (PIM) através da expansão da ADATA prevista para dezembro de 2026, ainda enfrenta severas limitações de conectividade e energia fiável para conseguir abrigar, de forma competitiva, os seus próprios complexos de armazenamento de dados.

 

RÁPIDAS & BOAS

 

Vão até quarta-feira (30/9) as inscrições para a chamada pública ‘Programa Mais Inovação – Rodada 2 – Semicondutores’, iniciativa lançada pela Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) e vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Informações e inscrições pelo link (https://tinyurl.com/2zntjpka).

 

A Mamba Water está com o 1º edital  ‘Mamba Water Project’ aberto até quarta-feira (30/9) para negócios e organizações com soluções relacionadas ao desafio de acesso à água e potencial de implementação no território priorizado. O projeto selecionado receberá até R$ 200 mil para viabilizar a implementação da proposta, conforme as condições previstas no edital. Segue link para inscrições (https://tinyurl.com/yx8ph8h2).

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