Inovar não significa, necessariamente, criar um produto que nunca existiu. Em muitos pequenos negócios, a mudança acontece quando o empreendedor encontra uma forma diferente de entregar valor ao cliente.
Foi o que Galben Sousa fez em Manaus. A aliança continua sendo produzida em ouro ou prata, seguindo técnicas tradicionais da ourivesaria. A diferença é que, em vez de receber a joia pronta, o casal entra na oficina e participa da confecção da peça.
“Sempre acreditei que a aliança representa muito mais do que uma joia. Eu percebia que, na maioria das joalherias, a compra era algo muito rápido e impessoal. Então pensei: por que não permitir que os próprios noivos participem da criação da peça que vai acompanhá-los pelo resto da vida?”, conta Galben.
Assim nasceu a Oficina dos Noivos, experiência oferecida pela Sousa Ateliê de Joias. Os casais podem moldar, lixar e acompanhar o acabamento inicial das alianças. As etapas que exigem conhecimento técnico e equipamentos específicos, como fundição, soldagem, ajuste das medidas, cravação de pedras e finalização, permanecem sob a responsabilidade do ourives.
O produto comercializado continua sendo a aliança, mas o valor do negócio passou a incluir participação, personalização, memória e registros em fotos e vídeos.
“Hoje eu vejo que a maioria procura muito mais do que uma aliança. O casal quer viver uma experiência. Eles valorizam a história que vão contar para os filhos e netos e a emoção de dizer: ‘Nós mesmos fizemos nossas alianças’”, afirma.
A estratégia acompanha uma mudança no comportamento do consumidor. Pesquisa divulgada em fevereiro de 2026 pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado do Rio de Janeiro (Sebrae Rio), em parceria com o Instituto de Estudos e Marketing Industrial (IEMI), ouviu 2,4 mil consumidores de produtos artesanais. Para 55% deles, a decisão de compra é orientada predominantemente por fatores emocionais.
O levantamento também identificou que 9% das compras foram realizadas diretamente com o artesão ou em oficinas de produção, espaços em que o consumidor valoriza a história, o processo produtivo e o contato com quem fabrica a peça.
Os dados ajudam a explicar por que a participação do cliente pode agregar valor a um produto tradicional. Quando acompanha a produção, ele deixa de considerar somente o peso do ouro, o desenho ou o preço. A lembrança construída durante a oficina também passa a fazer parte daquilo que está sendo adquirido.
Há mercado para esse tipo de negócio. O Brasil registrou 948.925 casamentos civis em 2024, aumento de 0,9% em relação ao ano anterior, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ao redor de cada casamento existe uma cadeia de fornecedores na qual a experiência pode ser tão relevante quanto o preço.
Engenheiro civil de formação, Galben trabalhou como desenhista na Secretaria de Cultura do Amazonas. A ourivesaria já fazia parte da história familiar, pois seu pai exercia o ofício. Ele chegou a investir na atividade, mas deixou o projeto de lado.
Em 2016, nasceu a Sousa Ateliê de Joias, que também produz anéis de formatura e noivado, pingentes, pulseiras, brincos e peças personalizadas. Segundo Galben, dezenas de casais já participaram da Oficina dos Noivos, que passou a atrair novos clientes e estimular outras encomendas.
A inovação, nesse caso, nasceu da releitura de um ofício transmitido entre gerações. O empreendedor não mudou a função da aliança nem abandonou a técnica tradicional. Ele modificou o lugar ocupado pelo cliente dentro do processo.
Ao permitir que o casal participe da criação, o ateliê deixou de vender somente uma joia. Passou a comercializar também o significado de participar de sua construção.

Fábrica de compressores prevista para 2028 pode fortalecer cadeia de climatização do PIM
A transição para aparelhos de ar-condicionado mais eficientes também está movimentando a cadeia de componentes do Polo Industrial de Manaus (PIM). O avanço da tecnologia inverter, dos sensores e dos sistemas inteligentes de controle exige compressores, motores, placas eletrônicas e softwares mais sofisticados, abrindo espaço para novas atividades de engenharia e desenvolvimento local.
O setor reúne cerca de 18 fabricantes de condicionadores de ar em Manaus. Em 2025, o PIM produziu aproximadamente 6,35 milhões de aparelhos do tipo split, com faturamento de R$ 12,64 bilhões, além de cerca de 374 mil unidades dos modelos de janela ou parede. Somadas as duas categorias, aproximadamente 6,72 milhões de equipamentos saíram das fábricas locais.
Um dos próximos movimentos dessa cadeia deverá ocorrer na produção de compressores. A Tecumseh prevê investir R$ 60 milhões em uma fábrica no PIM, com capacidade estimada de 1 milhão de compressores rotativos por ano e início das atividades em 2028.
O projeto também contempla um Centro de Aplicação Avançado, destinado a testes de engenharia, validação de produtos e desenvolvimento de soluções em parceria com as fabricantes instaladas em Manaus.
A estrutura poderá reduzir os ciclos de desenvolvimento, aproximar fornecedores e fabricantes e diminuir a dependência logística de um componente considerado o ‘coração’ do ar-condicionado. Com esse investimento, o PIM poderá avançar da produção em larga escala para uma participação maior no desenvolvimento das tecnologias que determinam a eficiência dos aparelhos.
Em um mercado pressionado por novas exigências energéticas e ambientais, a competitividade do setor dependerá cada vez mais da capacidade de agregar engenharia, componentes avançados e inovação às linhas de produção de Manaus.
BMW Motorrad alcança 150 mil motos produzidas em Manaus
No ano em que completa uma década de operação no Polo Industrial de Manaus (PIM), a fábrica da BMW Motorrad atingiu a marca acumulada de 150 mil motocicletas produzidas. A unidade, inaugurada em 2016, é a única planta do grupo dedicada exclusivamente à fabricação de motos fora da Alemanha.
O modelo de número 150 mil foi uma BMW R 1300 GS Adventure Triple Black. Atualmente, a fábrica produz 13 modelos, correspondentes a 99% do portfólio comercializado pela marca no Brasil.
Com aproximadamente 15 mil metros quadrados, a unidade possui capacidade para fabricar até 17 mil motocicletas por ano. Ao longo dos últimos dez anos, recebeu ampliações, novos equipamentos e investimentos em tecnologia e qualificação profissional, além de contribuir para o desenvolvimento de fornecedores e empregos no Amazonas.
O marco reforça a importância de Manaus na estratégia brasileira da BMW Motorrad e evidencia a capacidade do PIM de fabricar modelos de maior valor agregado seguindo padrões internacionais de qualidade e tecnologia.
Além dos data centers: onde o PIM entra na economia da IA
A inauguração da maior região de data centers em hiperescala da Microsoft na Índia mostra que a corrida pela inteligência artificial está avançando muito além do desenvolvimento de softwares. Por trás de cada resposta gerada em segundos existe uma estrutura física formada por servidores, chips, sistemas de armazenamento, redes de alta velocidade, baterias, equipamentos de energia e soluções de refrigeração.
A nova estrutura, localizada em Hyderabad, amplia para quatro o número de regiões de nuvem da Microsoft no país e integra um compromisso de investimentos de aproximadamente US$ 20,5 bilhões. A escolha da Índia se explica pelo tamanho de seu mercado, com mais de 1,4 bilhão de habitantes, e pela ampla base de profissionais e empresas de tecnologia construída ao longo dos anos.
Essa ação abre possibilidades para o Polo Industrial de Manaus (PIM) que vão além da eventual instalação de um grande data center na região. O polo já possui experiência na fabricação de bens de informática, equipamentos eletroeletrônicos e aparelhos de climatização, áreas diretamente relacionadas à infraestrutura necessária para sustentar a expansão da inteligência artificial.
A oportunidade está em avançar para produtos de maior valor tecnológico, como módulos eletrônicos, sistemas de alimentação ininterrupta, baterias, sensores, equipamentos de conectividade, componentes para servidores e soluções de refrigeração mais eficientes. Também há possibilidades nas áreas de pesquisa, manutenção especializada, desenvolvimento de softwares industriais, segurança e armazenamento de dados.
RÁPIDAS & BOAS
Entre os dias 12 e 19/8, sempre das 18h às 21h (horário de Brasília), o Samsung Ocean oferecerá o curso gratuito ‘Android: Introdução’. O curso é voltado para quem deseja iniciar na programação de aplicativos para celular. As inscrições estão abertas e podem ser feitas pelo portal do Samsung Ocean (www.oceanbrasil.com).
Na sexta-feira (14/8), ocorrerá o ‘Conexões Produtivas: Oportunidades para Indústria no Acordo Mercosul-União Europeia’, a partir das 8h, no Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), localizado no Distrito Industrial I. A iniciativa é promovida pela Apex Brasil em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). As inscrições podem ser feitas pelo link (https://tinyurl.com/2k8eze7m).


