O projeto da Altatronic Industrial do Brasil para Manaus ganha outra dimensão quando se observa o grupo ao qual a nova operação está ligada: a chinesa Megmeet, especializada em eletrônica de potência, sistemas de controle e automação.
É a Altatronic que prepara sua entrada no Polo Industrial de Manaus (PIM), mas a trajetória internacional da Megmeet ajuda a revelar o alcance tecnológico desse investimento. O grupo vem ampliando sua atuação em áreas estratégicas, como infraestrutura de inteligência artificial, data centers, mobilidade elétrica, armazenamento de energia e automação industrial.
No fim de julho, em San Jose, na Califórnia, a Megmeet apresentou novos módulos de 40 quilowatts destinados a estações de recarga rápida de veículos elétricos. As soluções incluem plataformas AC-DC e DC-DC desenvolvidas para diferentes aplicações de recarga, desde automóveis de passeio até veículos e frotas comerciais de alta tensão.
Poucos dias antes, a Megmeet Electrical India anunciou a ampliação de sua parceria com a Lineage Power, subsidiária do grupo indiano Pace Digitek, para o fornecimento de sistemas de alimentação elétrica destinados a data centers de inteligência artificial.
Em junho, o grupo também inaugurou, em Dallas, nos Estados Unidos, um laboratório dedicado à validação de sistemas de energia para data centers de nova geração. A companhia desenvolve ainda soluções de alimentação elétrica em 800 volts de corrente contínua, voltadas a racks de alta potência e à infraestrutura de data centers para inteligência artificial.
Essas iniciativas ajudam a dimensionar o perfil do grupo ligado à empresa que prepara sua entrada industrial em Manaus. Fundada em Shenzhen, em 2003, a Megmeet informa possuir cerca de 10 mil funcionários, dos quais aproximadamente 34% atuam em pesquisa e desenvolvimento. A companhia mantém dez centros de P&D e oito bases de fabricação, além de presença internacional.
No Brasil, o projeto será executado pela Altatronic Industrial do Brasil, constituída em Manaus em novembro de 2025 e ligada societariamente à Megmeet Hongkong Limited. A unidade deverá produzir, inicialmente, placas de circuito impresso montadas, exceto as destinadas ao uso em informática.
O programa apresentado ao Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Codam) prevê uma produção inicial de 300 mil placas no primeiro ano e a ampliação gradual do volume nos anos seguintes.
A divulgação inicial da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) destacou uma primeira etapa de R$ 20 milhões e a previsão de 250 empregos diretos. Posteriormente, o projeto técnico-econômico aprovado no âmbito dos incentivos fiscais passou a prever investimento de R$ 37,52 milhões e a geração de 379 postos de trabalho.
A Altatronic recebeu incentivos estaduais e teve seu projeto técnico-econômico de implantação aprovado pela Suframa por meio da Portaria nº 2.442, de 10 de março de 2026. O cronograma inicial indicava julho de 2026 para o começo das atividades, mas, até o início de agosto, ainda não havia confirmação pública do início da produção comercial.
A primeira fase está concentrada nas placas eletrônicas. Portanto, não há confirmação de que os sistemas desenvolvidos globalmente pela Megmeet para inteligência artificial, data centers ou mobilidade elétrica serão fabricados em Manaus. A empresa, contudo, já manifestou a intenção de ampliar gradualmente o portfólio brasileiro e avançar, no médio prazo, para produtos finais de marca própria.
Essa perspectiva interessa diretamente ao PIM. As placas eletrônicas estão presentes em televisores, aparelhos de ar-condicionado, eletrodomésticos, sistemas de energia e equipamentos industriais fabricados na região. Um novo fornecedor próximo às linhas de produção pode ampliar as compras locais, reduzir parte da dependência de componentes vindos do exterior e aproximar engenharia, produção e empresas compradoras.
Mesmo começando pela fabricação de placas, a implantação de uma empresa ligada a um grupo que atua globalmente na conexão entre energia, digitalização e automação tem potencial para fortalecer a cadeia eletroeletrônica e ampliar o repertório tecnológico do Polo. Caso a operação evolua para testes, engenharia de aplicação, desenvolvimento de produtos e pesquisa, sua contribuição poderá ultrapassar os investimentos e os empregos inicialmente previstos.
A chegada da Altatronic, respaldada pela experiência tecnológica e pela presença internacional da Megmeet, reforça a capacidade do PIM de atrair empresas inseridas em setores de alcance global. Para Manaus, representa mais uma oportunidade de adensar a produção local e ampliar sua participação em uma economia cada vez mais orientada por energia, conectividade, automação e inteligência artificial.


