A decisão dos Estados Unidos de elevar para 25% as tarifas sobre parte das importações brasileiras começa a provocar uma reação mais estruturada do governo federal. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) anunciou que lançará, no início de agosto, um plano de R$ 130 milhões voltado à diversificação de mercados para produtos brasileiros afetados pelas novas barreiras comerciais. A iniciativa será desenvolvida em parceria com 57 entidades representativas do setor privado.
A proposta vai além de uma resposta imediata ao chamado “tarifaço”. O objetivo é ampliar a presença das empresas brasileiras em novos destinos comerciais, reduzindo a dependência de mercados tradicionais e fortalecendo a competitividade das exportações em um cenário internacional cada vez mais marcado pelo protecionismo. Segundo o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, a estratégia também buscará ampliar o número de produtos brasileiros contemplados por isenções tarifárias nos Estados Unidos.
Para o Polo Industrial de Manaus (PIM), o cenário permanece, por enquanto, relativamente preservado. Isso porque a maior parte da produção das indústrias instaladas na Zona Franca é destinada ao mercado interno, o que reduz a exposição direta às novas tarifas norte-americanas. Ao mesmo tempo, indicadores recentes, como o crescimento das importações de insumos pelo polo, continuam sinalizando expectativa de expansão da atividade industrial.
Ainda é cedo para medir eventuais reflexos sobre a indústria amazonense. No entanto, a movimentação da ApexBrasil reforça uma mudança de estratégia que tende a ganhar força nos próximos anos: em um comércio global cada vez mais sujeito a barreiras, conquistar novos mercados deixa de ser apenas uma oportunidade e passa a ser uma necessidade para manter a competitividade da indústria brasileira.
Cristina Monte é jornalista, colunista e analista de negócios, especializada na cobertura de indústria, inovação e desenvolvimento econômico na Amazônia.
FOTO/DIVULGAÇÃO – APEX


