Pesquisador cria ‘super-hidratante’ com produtos amazônicos de manejo sustentável

A loção Nano 1, de hidratação profunda, tem um índice de hidratação de 41% em 2 horas, mantendo a taxa em 27% depois de 24 horas. (Foto: Reprodução)
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on pinterest
Pinterest

João Tezza Neto, 52 anos, economista, trabalha pela Amazônia há décadas. Desde 1999, ele atua em projetos de valorização de cadeias produtivas locais, com uma empresa de consultoria sobre o tema. Em 2017, porém, começou a desenvolver uma pesquisa que daria origem à marca de cosméticos Darvore, cujos itens são 100% formulados com ingredientes da região e extraídos de maneira sustentável.

Recentemente, foram lançados os dois primeiros produtos da marca, que prometem “super-hidratação” — acima da média da área de cosmetologia. A loção Nano 1, de hidratação profunda, tem um índice de hidratação de 41% em 2 horas, mantendo a taxa em 27% depois de 24 horas. Já a loção Nano 2, de controle de oleosidade, chega a 16% em 2 horas e 9% em 24 horas. Na comparação com comparação com produtos convencionais da indústria cosmética, segundo o empreendedor, a duração da ação é maior. De acordo com ele, as taxas de eficácia dos itens tradicionais são menores e a a hidratação se mantém por 6 horas no máximo.

“Os resultados do hidratante são visíveis no primeiro dia de uso. Já a loção de controle de oleosidade deve ser usada até chegar ao resultado esperado e, depois, parar o uso, tendo em vista a eficácia. São produtos surpreendentes”, diz Tezza Neto.

O empresário destaca também que, diferentemente de outras marcas, que usam alguns extratos naturais da Amazônia nas formulações, a Darvore tem produtos totalmente formulados com matéria-prima da floresta. Ele diz que as extrações são responsáveis, sem consumir materiais resultantes da derrubada de árvores.

“A copaíba, ativo que a indústria usa, geralmente vem da área de desmatamento, porque a copaibeira derrubada verte esse extrato. A copaíba obtida no manejo florestal não mata a árvore, mas extrai uma quantidade menor da copaíba. Ou seja: não é porque um produto é florestal que ele é de conservação”, explica.

O embrião da marca foram as pesquisas desenvolvidas por Tezza Neto ao longo dos anos. “Em 2017, participei do programa InovAtiva Brasil, do Sebrae. Venci a primeira etapa, mas a verba não dava para executar a ideia. Aí, procurei o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), que achou recursos da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). E aí tocamos esse projeto, na área de bionanotecnologia”, conta.

As loções criadas têm as moléculas encapsuladas por manteiga vegetal, diferentemente de produtos da indústria convencional, que usam nanocápsulas sintéticas. Esse aspecto auxilia na eficácia e na duração da hidratação prometida.

As organizações de incentivo garantiram R$ 400 mil ao projeto. Em 2020, a empresa foi aberta pelo empreendedor e sua amiga e sócia, a bióloga Andrea Waichman. Os sócios estimam ter investido em torno de R$ 100 mil em viagens, visitas, busca e aquisição das matérias-primas.

A matriz da empresa fica em Manaus (AM), mas a marca tem também uma filial em Ribeirão Preto (SP) — na incubadora de tecnologia da USP, a Supera Parque. Fábricas parceiras na cidade fazem a industrialização e a logística.

A patente das formulações é dividida com o IPT, por conta da parceria no desenvolvimento dos produtos. No começo, o empresário pensou se deveria vender os produtos para alguma marca, mas percebeu que seria muito difícil encaixá-los em um portfólio já estabelecido, tendo em vista que a produção é específica e se dá através de fornecedores locais da Amazônia. Assim, surgiu a ideia da empresa própria, a Darvore, que hoje vende os produtos pelo site e em feiras de temática ambiental.

“Adquirimos matéria-prima de uma microempresária do interior do Amazonas, da empresa Cupuama. E há outros produtores de que compramos, da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã. Eles trabalham com toda extração rastreada pelo aplicativo Cidades Florestais, feito com a supervisão do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam)”, explica. “Como nossa formulação é 100% florestal, à medida que crescemos, cresce a compra de matérias-primas, e isso é importante. Crescemos de um para um, e isso dá uma grande diferença para esse segmento”, conclui.

A meta atual é vender de 500 a 700 unidades por mês dos produtos, que foram lançados em junho. Os empresários têm investido na comunicação das redes sociais e em apresentar o produto para profissionais da área da saúde e estética, um nicho que tem se interessado pela inovação trazida pela marca.

“Queremos apresentar o produto para esse nicho, é um trabalho mais corpo a corpo. Isso tem gerado resultados interessantes. Os profissionais da área se tornam fãs e acabam indicando para colegas. Queremos começar a implementar nossos produtos em redes de estética”, planeja o empresário.

A próxima ação da Darvore começou em 5 de setembro, o Dia da Amazônia, em parceria com o Idesam. Ao longo de todo mês, cada venda gerará a plantação de uma árvore na Reserva do Uatumã.

 

EnglishPortuguese
Open chat
Precisa de ajuda?