Mudança climática intensificou estação seca na Amazônia, afirma o climatologista Carlos Nobre

(Foto: Gustavo Basso/DW)
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Terra arrasada – e seca, muito seca. É assim que pode-se  “resumir” a Amazônia com a estiagem extrema que atinge a região. Os rios vêm batendo sucessivos recordes históricos de baixa, e comunidades inteiras estão isoladas e com dificuldade de acesso a alimentos, serviços de saúde e água potável. Para piorar, o tempo seco contribuiu para a proliferação das queimadas, que atingem até mesmo a floresta úmida, situação atípica que pode virar um “novo anormal” amazônico.

A seca severa, efeito das mudanças climáticas agravado pelo El Niño, é mais um alerta sobre o futuro da região. A comunidade científica adverte que as mudanças climáticas e o desmatamento podem matar a Floresta Amazônica. A degradação geraria enormes emissões de carbono, desregularia o sistema de chuvas no continente e extinguiria centenas de espécies do bioma.

Em entrevista à DW, Carlos Nobre, climatologista do INPE e referência mundial em estudos sobre mudanças climáticas, reforça a possibilidade de colapso irreversível da floresta, como ele e outros especialistas vêm chamando atenção há tempos. Contudo, reitera que é possível reverter esse processo.

“Alguns cientistas dizem que o sudeste da Amazônia já atingiu o [ponto de] não retorno, nessa região a mortalidade de árvores aumentou e a floresta virou fonte [de emissão] de carbono. Mas outros, como eu, acham que não. Se conseguirmos zerar o desmatamento, a degradação e o fogo, e criar um grande projeto de restauração florestal em todo o sul da Amazônia, temos como reverter. Uma vez que a floresta secundária se regenere, ela consegue absorver muito carbono, baixar a temperatura e reciclar de forma muito eficiente a água, impedindo a chegada do não retorno.”

A seca também castiga a fauna. Segundo a Folha, a ONG Sea Shepherd Brasil anunciou na 6ª feira (27/10) que 16 botos cor-de-rosa e 3 tucuxis morreram na região do rio Coari, junto com outros sete mamíferos aquáticos.

Antes, mais de 150 botos morreram no Lago Tefé, no rio Solimões. Por isso, as mortes representam “um desenvolvimento extremamente preocupante que pode indicar que há mamíferos marinhos (sic) morrendo em outras partes do rio que ainda não estão sendo monitoradas”, disse a Sea Shepherd.

A agricultura de grande porte, que é uma das responsáveis pela crise climática ao ocupar áreas desmatadas na Amazônia, também paga seu preço. A escassez de chuvas afetou o ritmo do plantio de soja no Mato Grosso, o principal estado produtor da oleaginosa no Brasil, e pode impactar a semeadura do segundo milho, plantado após a colheita da soja, de acordo com a Reuters.

Os efeitos da seca amazônica e das mudanças climáticas, obviamente, não se restringem ao Brasil. Em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, incêndios florestais agravados pela estiagem esvaziaram escolas e trouxeram as máscaras de volta, mostra a Folha. A fumaça mergulhou em cinzas a cidade mais populosa e rica da Bolívia – assim como fez com Manaus há algumas semanas, quando a capital do Amazonas foi a segunda cidade com o ar mais poluído do mundo.

E o cenário não deve mudar tão cedo. Segundo previsão divulgada na 6ª feira (27/10) pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, as chuvas devem continuar reduzidas no Norte. O fim da estiagem deve começar pelo sudoeste amazônico, mas será lento, segundo informações do INMET, do INPE e da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos, do governo do Ceará, detalha a Folha. As precipitações, preveem as entidades, devem voltar em novembro, mas ainda abaixo da média para o período.

*Com informações do site ClimaInfo

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