Meninas e Mulheres na Ciência: Pesquisadora da UFPA desenvolve soluções sustentáveis para a engenharia química na Amazônia

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Pinterest

Faz 20 anos que as mulheres são maioria na formação científica brasileira. Os dados mais recentes, disponibilizados em 2025 pelo Plano Nacional de Pós-Graduação 2025-2029 (PNPG), indicam que o corpo discente dos programas de pós-graduação (PPGs) é cerca de 57% feminino. É nítida a significativa contribuição feminina à produção de ciência no Brasil, sobretudo quando consideramos que 80% da pesquisa brasileira está ligada a esses programas. Todos os dias, mulheres na ciência questionam, investigam e fazem descobertas que melhoram a realidade cotidiana das pessoas.

Leticia Maria Martins Siqueira, pós-doutoranda no Laboratório de Ciência e Engenharia de Petróleo e Energia da Universidade Federal do Pará (LCPETRO – Campus Salinópolis), é uma dessas cientistas. Formada em Química (Licenciatura) e Engenharia Química, também pela UFPA, a pesquisadora é apaixonada pela sua área e já acumula mestrado, doutorado e quase duas décadas de atividade em laboratórios. As pesquisas de Letícia contribuem para as indústrias alimentícias, farmacêuticas e cosméticas e até para diminuir os impactos ambientais do setor petroquímico.

“A área de Engenharia Química é um leque de possibilidades e aprendizados já que podemos atuar no desenvolvimento de diversos setores”, compartilha a cientista, que já trabalhou desenvolvendo bioprodutos com tecnologia supercrítica e hoje investiga o fluxo reativo em carbonatos compactos e heterogêneos do Pré-Sal brasileiro.

Tecnologia supercrítica – “A tecnologia supercrítica (CO₂ supercrítico) é uma tecnologia verde que proporciona a obtenção de extratos diferenciados, livres da contaminação de solventes orgânicos tóxicos”, explica. “Além disso, a obtenção dos seus produtos é de qualidade superior quando comparados aos produtos obtidos por técnicas convencionais.” Além da qualidade superior, os produtos em questão tratam-se de bioprodutos, ou seja, produtos desenvolvidos com recursos biológicos renováveis, como plantas e seus derivados.

A lista de matérias-primas já processadas no LABTECS (Laboratório de Tecnologia Supercrítica) a partir da tecnologia supercrítica inclui frutas típicas da Amazônia, como açaí, buriti, muruci e jambu. Um dos estudos publicados por Letícia e seus colegas de laboratório da UFPA, por exemplo, descobriu que o extrato de açaí obtido por CO₂ supercrítico apresentou concentrações altíssimas de carotenoides, como o betacaroteno, que confere propriedades fotoprotetoras e, por isso, é bastante utilizado na formulação de protetores solares e outros cosméticos. Mesmo o segundo produto obtido, chamado de polpa desengordurada do açaí, também é rico em antocianinas, cuja atuação é antioxidante, anti-inflamatória e neuroprotetora. Essa descoberta fez parte da tese de doutorado da pesquisadora e comprova a eficácia tanto da tecnologia supercrítica quanto evidencia um grande potencial para a bioeconomia local.

Acidificação em poços de petróleo – Paralelamente, em seu pós-doutorado no LCPETRO, Letícia investiga como a acidificação – técnica usada para aumentar a produtividade de poços de petróleo – interage com as rochas. “A implementação eficaz dessas operações impacta diretamente a eficiência da produção e na geração de energia. Compreendendo melhor as interações que ocorrem entre a rocha e o fluido nos laboratórios pode-se melhorar a segurança operacional em campo”, afirma.

Equidade de gênero e química – Desde cedo, Letícia sempre quis ser engenheira: “o meu interesse na Engenharia Química a princípio foi pelo fato de querer ser engenheira e amar química, depois, conhecendo o curso, amei a versatilidade de poder trabalhar em vários ramos que a área te proporciona”, relata. Já a carreira acadêmica veio com o tempo, conforme a cientista trabalhou em laboratórios na UFPA e consolidou a sua paixão pela docência. “Até hoje, a minha parte favorita do trabalho é atuar dentro dos laboratórios nas partes experimentais e com os alunos”, acrescenta.

Para Letícia, a presença de mulheres na ciência também representa um passo importante para ampliar a equidade de gênero no meio acadêmico. “Na sociedade, infelizmente, muitas vezes a mulher ainda precisa provar constantemente sua capacidade para ocupar espaços de liderança. Por isso, é fundamental que mais mulheres estejam em posições de decisão e coordenação em projetos de pesquisa. Além de promover a equidade, isso também inspira e incentiva outras mulheres a seguirem esse caminho”, conclui.

TEXTO: Gabriela Cardoso – Assessoria de Comunicação Institucional da UFPA

FOTOS: Acervo pessoal

Fonte: UFPA.